quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Tiê

Toda vez que ouço essa música lembro da minha amiga Tiê. Em dezembro de 1996, quando ela voltou do Japão depois de ficar por cinco anos lá, fui visitá-la e ficamos horas conversando, botando as fofocas em dia. Lembro dela me perguntando se eu gostava de Elton John e, diante da resposta afirmativa, ter botado esse som.

Que saudade, minha amiga! Vou tomar aquela gelada hoje, em sua homenagem.

domingo, 11 de outubro de 2009

Ausência, aniversários e nascimento

Simplesmente vergonhosa esta minha ausência por tanto tempo. Vou me esforçar para voltar a postar com maior frequência. De qualquer forma, muita coisa aconteceu desde a última postagem. Minha filha fez oito anos, meu irmão Jorge fez 41 e meu amigo Terry fez 50, numa festa muito boa - entre outros aniversários.

Ah, sem dúvida um acontecimento importante foi o nascimento da Maria Eduarda, nossa afilhada, filha do casal amigo Alexandre e Medianeira. Veio fortona e botando a boca no mundo. Força, amigos. Boa sorte na nova fase da vida.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Vitória com jeitão de Corinthians

É claro que todo mundo gostaria que seu time fizesse sempre 5 a 0 - principalmente em clássicos e jamais fosse ameaçado nos jogos. Mas, cá entre nós, que coisa boa que é poder comemorar o aniversário ganhando um clássico de virada nos minutos finais, não?

A partida de ontem contra o Santos no Pacaembu tinha tudo para ser uma festa, mas começou a ser pintada com cores tristes aos 7' do 2º tempo. Todo mundo sabia que o Santos só tem aquela jogada - o George Lucas lança a bola na área pra ver no que dá. E deu no gol das sardinhas.

A coisa parecia que não ia. Era um tal de passe errado e de cruzar bola na área que era uma grandeza. E o Filipe deles fazendo alguns milagres. Até que num cruzamento desses um cabeceou todo torto e, naquela de bate na trave e fica pedindo "me chuta", o tal de Bill conseguiu enfiar o pé e empatar o jogo, aos 34', quando os peixeiros já fediam de tanto pular nas arquibancadas do "próprio da municipalidade" (adorei essa expressão, que nunca mais tinha ouvido).

Mas o melhor ainda estava por vir. Depois de uma jogada ensaiada sabe lá Deus onde - o Mano disse que não ensaiou aquilo, ao contrário do que muito treinador diria quando dá certo -, Chicão, injustamente acusado de fazer corpo mole no departamento médico pra forçar um aumento de salário, virou o jogo e deu números finais à partida. Isso aos 43'.

O final da partida? Ah, só a Fiel cantando e festejando a primeira vitória do ano do Centenário. Agora é esperar pela volta do Fenômeno e outros titulares e partir em busca do penta brasileiro.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O maior presidente de todos os tempos


Para finalizar os posts do aniversário do Corinthians (amanhã tem mais), uma justa homenagem ao maior presidente de todos os tempos: Vicente Matheus. Folclórico, engraçado, ditador...os adjetivos são muitos, mas um resume todas as qualidades de seu Vicente: Corinthiano!!!

Ser torcedor só na boa é fácil

Colocar camisa, ir pro estádio, dizer que é torcedor quando o time está bem, qualquer um faz. Quero ver é fazer tudo isso e declarar amor incondicional quando o time está mal, caindo pelas tabelas. Quero ver é a torcida só crescer quando o clube passa por um jejum brabo de títulos – como aconteceu com o Corinthians durante 22 anos, oito meses e seis dias de sofrimento, entre 6 de fevereiro de 1955 e 13 de outubro de 1977.

Isso valoriza ainda mais a homenagem de mestre Paulinho Nogueira ao Corinthians quando o jejum completou 20 anos, em 1974, naquela derrota para o Palmeiras. Os versos do refrão encerraram aquele texto que publiquei no post abaixo.

Meus 20 anos



Entre as belas homenagens que grandes compositores já fizeram ao Timão do povo, uma das mais tocantes é “Corinthians do meu coração”, do Toquinho, corinthiano de quatro costados e aluno de violão clássico de mestre Paulinho Nogueira.

Começou o centenário

No dia do aniversário de 99 anos do Corinthians, procurei algo pra homenagear o timão do povo. encontrei este post no blog do Aloysio Nunes Ferreira, secretário da Casa Civil de São Paulo, que descobri agora ser corinthiano fanático.

99 anos de uma paixão

Comemoramos hoje os 99 anos do Sport Club Corinthians Paulista. Como corintiano, não poderia deixar de render minhas homenagens ao clube, minha paixão desde sempre e “propriedade” da maior torcida no estado de São Paulo. Porque está coberto de razão aquele que diz que “todo time tem uma torcida, mas só a torcida do Corinthians é quem tem um time”.

Corinthians cuja vitória em 1954 acompanhei pelas ondas do rádio na minha remota infância rio-pretense. Corinthians da Democracia Corintiana, corajoso movimento de resistência à ditadura militar. Corinthians protagonista da maior “invasão” já vista no Maracanã por uma torcida de fora do Rio de Janeiro, capaz de levar 70 mil fiéis a uma semifinal, mesmo após 22 anos sem ser campeão – período em que nossa torcida só cresceu, ao contrário do que era de se esperar. Mas, o Corinthians é isso mesmo: a inversão da lógica, a capacidade de superar obstáculos quando eles parecem intransponíveis. Como na decisão de 1977, contra uma Ponte Preta superior no papel, mas incapaz de resistir à força de uma nação.

Corinthians do pé-de-anjo Basílio, que libertou este povo sufocado por mais de duas décadas de sofrimento. Corinthians de Sócrates, Casagrande, Luizinho, Marcelinho, Ronaldo, Rivelino, Baltazar, Zé Maria, Palhinha, Wladimir, Gamarra, Neto, Biro-Biro e tantos outros.

Corinthians do povo, capaz de unir, nas arquibancadas do Pacaembu, desde o faxineiro até o presidente da empresa, numa paixão em comum descrita com perfeição nos versos do saudoso mestre Paulinho Nogueira:

“Ai, Corinthians, quando és o vencedor
Pobre fica milionário, rindo da própria dor.”

Parabéns, Corinthians!!


Pra acompanhar, dois vídeos que achei no Youtube pra ilustrar momentos citados por ele:

1) a invasão da Fiel ao Maracanã, na semifinal do Brasileiro de 1976, na narração emocionante de Osmar Santos.




2) o gol mais importante da história do futebol, o de Basílio, em 1977, que decretou a segunda abolição brasileira. Também na voz marcante de Osmar Santos.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

PH

Meu amigo Paulo Henrique realiza hoje um grande sonho: foi de mala, cuia e Renata a tiracolo fazer a vida no Canadá, aquele imenso bloco de gelo onde as pessoas têm um urso polar como bicho de estimação :o)

Há anos que ele tentava a autorização para imigrar. Agora que conseguiu, espero que seja bastante feliz e que tudo dê certo por lá. Foi uma pena não ter conseguido falar com ele por estes dias. A correria dos preparativos para uma viagem que pretende ser muito mais longa que as habituais tomou todo o tempo dos dois. E eu, que por várias vezes prometi uma visita a eles no final de semana em Balneário Camboriú, acho que vou demorar um pouquinho mais para vê-los.

Boa sorte, meus amigos. Quem sabe um dia vamos dar um passeio em Vancouver.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Meu avô Waldomiro

Hoje faz 20 anos que meu avô paterno, Waldomiro, morreu, aos 84 anos. Até então, o único parente mais próximo que havia morrido tinha sido o tio Antonio, irmão da minha avó Lícia. Isso, no entanto, já fazia pouco mais de sete anos.

Não me lembro de nada de especial que tenha feito aquele dia. Tinha recém começado o cursinho pré-vestibular e meus dias passaram a ser compostos de aula pela manhã na escola, algum trabalho doméstico ou educação física à tarde e cursinho à noite.

E foi exatamente no cursinho que aconteceu comigo algo que eu tinha visto com várias outras pessoas em todos os anos da minha vida escolar. Assim que voltamos do intervalo e começou a aula de Física, uma funcionária do cursinho bateu à porta e chamou o professor Marcelo. O cara olhou pra sala e disse:

– Marcelo de Oliveira Santos! Quem é o desgraçado que está atrapalhando minha aula?

Na hora eu levantei pra ver o que era, quando a funcionária soltou as palavras que eu jamais gostaria de ouvir:

– Traz seu material!

Desabei na cadeira, olhei para meu amigo Luiz Fernando, sentado ao meu lado, e falei:

– Meu avô morreu!

Eu já sabia. Durante anos eu havia visto aquilo. No meio da aula na escola, um funcionário entrava na sala e chamava alguém. Na hora em que a pessoa ia levantando, ouvia que era pra levar junto o material. Era batata: no dia seguinte, o colega contava que algum parente havia morrido. Só que nunca havia acontecido comigo. Bom, pra tudo tem uma primeira vez.

Agora, em homenagem ao meu avô, dois exemplos do que ele mais gostava: música caipira.

Tonico e Tinoco cantando “Pingo d’água”, de João Pacífico e Raul Torres.



Aqui, Inezita Barroso canta "Saudades de Matão", de Raul Torres e Antenógenes Silva. Inezita é a apresentadora do programa que meu avô mais gostava, o "Viola, minha viola", há mais de 30 anos no ar na TV Cultura.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Calculadora humana

Das habilidades que eu tenho - e que desenvolvi com o tempo - a que mais chama a atenção é a capacidade de cálculo. Porém, nada se compara a esse alemão aí. Vale a pena assistir ao vídeo de pouco mais de 11 minutos.

Reparem que no desafio final, numa rádio australiana, o apresentador fez o que se deve fazer para dificultar um pouquinho a vida das calculadoras humanas: escolheu um número primo.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Ai de ti, Florianópolis!

Em 1958, o escritor, jornalista e cronista Rubem Braga chamou a atenção do Rio de Janeiro ao publicar Ai de ti, Copacabana!. A crônica antecipava a degradação pela qual a então capital da República passaria nas décadas seguintes.

Lido com bastante cuidado, o texto permite algumas comparações com a Florianópolis atual. É claro que algumas citações ficaram bastante defasadas, mas ainda assim é surpreendente pelo tom profético. Trocadas algumas palavras e expressões, dá pra transformar numa espécie de “Ai de ti, Florianópolis!” Confesso que fiquei tentado a cometer este desatino, mas o mestre Rubem Braga – que tão bem inaugurou o Pastel de Feira com sua crônica “Almoço Mineiro” – não mereceria isso.


Ai de ti, Copacabana!

Rubem Braga

1. AI DE TI, Copacabana, porque eu já fiz o sinal bem claro de que é chegada a véspera de teu dia, e tu não viste; porém minha voz te abalará até as entranhas.

2. Ai de ti, Copacabana, porque a ti chamaram Princesa do Mar, e cingiram tua fronte com uma coroa de mentiras; e deste risadas ébrias e vãs no seio da noite.

3. Já movi o mar de uma parte e de outra parte, e suas ondas tomaram o Leme e o Arpoador, e tu não viste este sinal; estás perdida e cega no meio de tuas iniqüidades e de tua malícia.

4. Sem Leme, quem te governará? Foste iníqua perante o oceano, e o oceano mandará sobre ti a multidão de suas ondas.

6. Grandes são teus edifícios de cimento, e eles se postam diante do mar qual alta muralha desafiando o mar; mas eles se abaterão.

6. E os escuros peixes nadarão nas tuas ruas e a vasa fétida das marés cobrirá tua face; e o setentrião lançará as ondas sobre ti num referver de espumas qual um bando de carneiros em pânico, até morder a aba de teus morros; e todas as muralhas ruirão.

7. E os polvos habitarão os teus porões e as negras jamantas as tuas lojas de decorações; e os meros se entocarão em tuas galerias, desde Menescal até Alaska.

8. Então quem especulará sobre o metro quadrado de teu terreno? Pois na verdade não haverá terreno algum.

9. Ai daqueles que dormem em leitos de pau-marfim nas câmaras refrigeradas, e desprezam o vento e o ar do Senhor, e não obedecem à lei do verão.

10. Ai daqueles que passam em seus cadilaques buzinando alto, pois não terão tanta pressa quando virem pela frente a hora da provação.

11. Tuas donzelas se estendem na areia e passam no corpo óleos odoríferos para tostar a tez, e teus mancebos fazem das lambretas instrumentos de concupiscência.

12. Uivai, mancebos, e clamai, mocinhas, e rebolai-vos na cinza, porque já se cumpriram vossos dias, e eu vos quebrantarei.

13. Ai de ti, Copacabana, porque os badejos e as garoupas estarão nos poços de teus elevadores, e os meninos do morro, quando for chegado o tempo das tainhas, jogarão tarrafas no Canal do Cantagalo; ou lançarão suas linhas dos altos do Babilônia.

14. E os pequenos peixes que habitam os aquários de vidro serão libertados para todo o número de suas gerações.

15. Por que rezais em vossos templos, fariseus de Copacabana, e levais flores para Iemanjá no meio da noite? Acaso eu não conheço a multidão de vossos pecados?

16. Antes de te perder eu agravarei s tua demência — ai de ti, Copacabana! Os gentios de teus morros descerão uivando sobre ti, e os canhões de teu próprio Forte se voltarão contra teu corpo, e troarão; mas a água salgada levará milênios para lavar os teus pecados de um só verão.

17. E tu, Oscar, filho de Ornstein, ouve a minha ordem: reserva para Iemanjá os mais espaçosos aposentos de teu palácio, porque ali, entre algas, ela habitará.

18. E no Petit Club os siris comerão cabeças de homens fritas na casca; e Sacha, o homem-rã, tocará piano submarino para fantasmas de mulheres silenciosas e verdes, cujos nomes passaram muitos anos nas colunas dos cronistas, no tempo em que havia colunas e havia cronistas.

19. Pois grande foi a tua vaidade, Copacabana, e fundas foram as tuas mazelas; já se incendiou o Vogue, e não viste o sinal, e já mandei tragar as areias do Leme e ainda não vês o sinal. Pois o fogo e a água te consumirão.

20. A rapina de teus mercadores e a libação de teus perdidos; e a ostentação da hetaira do Posto Cinco, em cujos diamantes se coagularam as lágrimas de mil meninas miseráveis — tudo passará.

21. Assim qual escuro alfanje a nadadeira dos imensos cações passará ao lado de tuas antenas de televisão; porém muitos peixes morrerão por se banharem no uísque falsificado de teus bares.

22. Pinta-te qual mulher pública e coloca todas as tuas jóias, e aviva o verniz de tuas unhas e canta a tua última canção pecaminosa, pois em verdade é tarde para a prece; e que estremeça o teu corpo fino e cheio de máculas, desde o Edifício Olinda até a sede dos Marimbás porque eis que sobre ele vai a minha fúria, e o destruirá. Canta a tua última canção, Copacabana!

Rio, janeiro, 1958



Texto extraído do livro "Ai de ti, Copacabana", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 99.